Dicas sobre como estudar matemática
Os tópicos abaixo não nenhum embasamento científico, são só dicas
baseadas em minha experiência pessoal.
Como
estudar agora que você está na universidade
- O ritmo de estudo na universidade é bem diferente do que era na
escola. É provável que você tenha sido aquele aluno muito bom, sem
que para isto tenha precisado estudar muito. Na universidade, isso
pode não funcionar.
- (Princípio básico) Sua saúde (física e mental) é muito mais
importante do que essa disciplina e esse curso. Fazer uma disciplina
não deve fazer você se sentir mal.
- Não menospreze o impacto que questões envolvendo saúde mental
tem no seu desempenho acadêmico! Se achar que precisa de ajuda, ou
se achar que um amigo precisa de ajuda, procure apoio! Se precisar
de atendimento especializado, a Unicamp tem setores de apoio aos
alunos, tais como o SAE – Serviço de Apoio ao Estudante e o SAPPE –
Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica.
- Além destes conselhos despretensiosos, existe muito material
profissional de apoio. O SAE/Unicamp oferece várias vezes no ano a
“Oficina de Autorregulação da Aprendizagem”. Se informe
sobre isto com um amigo, centro acadêmico, ou com um professor. Não
temos muito treinamento para lidar com isso, mas acho que qualquer
um pode te falar sobre o SAE/Sappe.
- Recomendo também a leitura do livro “Cartas do Gervásio ao
Seu Umbigo”, sobre como estudar na universidade (tem na
biblioteca da FE).
Como estudar/aprender
matemática?
A lista abaixo não serve para todo mundo. Ensino/Aprendizagem é
algo complexo e muito individual. Mas já que você leu até aqui,
vamos continuar.
- Como não estudar matemática: assim como várias
outras coisas no mundo, não dá para aprender matemática simplesmente
olhando alguém fazer. Matemática se aprende com lápis e papel. Tem
que ir rabiscando e fazendo exemplos até a coisa toda fazer sentido.
E às vezes isto demora bastante. Um livro de matemática raramente
serve como livro de cabeceira: no máximo você terá alguns
pesadelos.
- Temos lousas no IMECC, e muitas salas vazias. Chame um colega e
vá lá discutir algum problema.
- Só decore as fórmulas após entender como elas funcionam. Você
pode ter decorado a fórmula de Clapeyron, mas você ainda sabe o que
é o RT na equação \(PV=nRT\)
(Químicos, não respondam). Se você fizer vários exercícios que
utilizam uma determinada fórmula (digamos, integração por partes),
uma hora irá transformar o “decorei” em “aprendi”.
- Um dos grandes problemas da matemática é que é uma disciplina
cumulativa. Você precisa aprender coisas que foram “inventadas” no
século XI (por exemplo, a fórmula de Bháskara) para acompanhar as
técnicas de cálculo diferencial e integral desenvolvidas no século
XVIII e depois para estudar o desenvolvimento dos sistemas dinâmicos
não-suaves que tem sido feito desde o começo deste século. Na
medicina, você não precisa necessariamente conhecer os métodos do
século XIV para entender o que é feito hoje, mas na matemática você
precisa.
- Se existem coisas mais modernas em matemática, qual o sentido de
estudarmos as coisas “velhas”? As coisas modernas são complicadas e
dependem deste conhecimento anterior. Quer entender como é possível
comprimir uma foto em .jpg ou um arquivo de áudio em .mp3? Quer
saber como um foguete pode subir, colocar uma nave em órbita e
pousar novamente num ponto determinado? Vai ter que estudar
transformadas de Fourier, teoria do controle e algumas coisas
desenvolvidas no século XVIII, além de muitas coisas
“teóricas”.
- Em geral, sua dificuldade com integrais tem origem na sua
dificuldade em, por exemplo, dividir polinômios ou expandir
corretamente expressões como \((x+y)^n\), ou ainda em somar frações.
Não é “feio” que você não saiba algo, e é muito importante que você
cubra seus pré-requisitos. Não tenha vergonha de pegar um livro de
Pré-Cálculo e dar uma estudada. O mesmo vale para quem está fazendo
Topologia Diferencial: não tenha vergonha de lembrar algum conceito
de Espaços Métricos.
- O nível de dificuldade de um problema de matemática pode
aumentar muito rapidamente. Por exemplo, você consegue encontrar
números inteiros positivos \(x,y,z\) com \(x^2=y^2+z^2\)? E inteiros positivos
\(x,y,z\) de forma que \(x^3=y^3+z^3\)? Será que existem?
Durante
uma aula (especificamente durante minha aula)
- Tente ler, pelo menos “por alto” o assunto que será tratado na
aula, nem que seja para ter uma ideia.
- Passeie na biblioteca na prateleira onde fica o livro oficial do
curso, e procure outros livros sobre o mesmo assunto. Você pode se
dar melhor com um livro que não seja a referência oficial do curso.
Além disso, ler coisas por outros pontos de vista pode ser
interessante.
- Os slides ou notas de aula que eu usar no curso estarão sempre
disponíveis e atualizados em meu website, então você não precisa
copiar tudo que eu escrevo no quadro. Copie só o que for o
importante (comentários, soluções de exercícios, piadinhas,
etc).
- Faça perguntas durante a aula, participe da aula. Eu raramente
faço perguntas retóricas.
- Modere o uso do seu celular durante a aula. Use este momento
para se “desintoxicar” de redes sociais, estamos todos precisando
fazer isto.
- Não tenha vergonha de perguntar. Se não quiser perguntar durante
a aula, fale comigo no final da aula, ou me mande um e-mail, ou
passe na minha sala. Sua dúvida pode ser a dúvida do colega que é
ainda mais tímido do que você. Não se intimide com os colegas que
fazem perguntas complicadas.
- Tente fazer as listas de exercícios, principalmente os
exercícios que eu deixar durante as aulas.
- A aula de exercícios/do PED é muito importante para você
acompanhar o curso. Além disto, existem horários de monitorias em
vários dias. Não frequente a monitoria só na véspera da prova.
- A sua participação e seu trabalho individual são fundamentais
para seu sucesso na disciplina. Entretanto, estudar em grupo é uma
excelente estratégia para adquirir conhecimento.