Vidas salvas no Brasil pelo isolamento social e uso de máscaras (v. 3.0)

Desenvolvido por Paulo J. S. Silva e Claudia Sagastizábal após uma discussão com colegas do CeMEAI

Agradecimentos: Tiago Pereira e Alexandre Delben

Obs: Os dados da nossa fonte original, o Observatório Covid 19, estão congelados desde 22/12/2020. Para manter a informação disponível, mudamos a fonte de dados, estamos agora usando os dados do BrasilIO.

O objetivo desta página é apresentar uma estimativa do número de vidas salvas no país pelo isolamento social. Para isso nós fazemos ajustes do parâmetro $R_0$ do modelo SEIR, que representa a taxa de replicação do vírus SARS-CoV-2 (o corona vírus que causa a Covid-19) em uma população inteiramente sucetível, tentando descobrir se ele varia no tempo. A ideia é buscar identificar tendências na evolução da taxa de propagação do vírus e consequente aceleração ou desaceleração da epidemia depois do início dos protocolos de distanciamento social que foram implementados a partir de 24 de março em vários lugares do país. Quando os dados anteriores ao dia 24 de março não são suficientes para fazer a análise, nós usamos os dados da primeira semana em que conseguimos estimar o comportamento do vírus para representar o período anterior ao isolamento social.

Apresentamos inicialmente os dados para o país todo e depois especializamos os resultados para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Maranhão (estado de origem do primeiro autor) e para todas as grandes regiões do país. Vamos ficar em casa, vamos salvar vidas.

Obs: estimativas feitas com base nos dados oficiais, veja mais detalhes abaixo, em particular detalhamos a mudanças feitas com relação à versão anterior no final desse documento.

Estimativa de vidas salvas pelo distanciamento social nos próximos 14 dias

Total de vidas salvas por dia

Obs1: Os resultados estão baseados nos dados oficiais baixados a partir do site BrasilIO que compila informações das secretarias de saúde estaduais. Esses dados sofrem de clara subnotificação e assim as nossas estimativas serão também afetadas. Porém, acreditamos que mesmo assim é possível ter uma ideia da evolução da epidemia e assim ser útil.

Obs2: Devido a essa dificuldade com os dados oficiais, preferimos fazer uma estimativa para alguns dias no futuro, partindo dos dados atuais, a tentar manter informação sobre o total de vidas salvas até hoje. Isso porque estaríamos acumulando informação com imprecisão o que só iria amplificar as incertezas. Pelo mesmo motivo apresentamos abaixo os gráficos de evolução futura por mais 30 dias apenas.

Comentários

O distanciamento social parece ter sido efetivo até meados de novembro quando consideramos o Brasil inteiro. Vemos a taxa de replicação basal caindo continuamente no tempo até se estabilizar em torno do valor 1.0. Esse valor representaria estabilidade em uma população totalmente sucetível. Mas como já estamos passando pela pandemia há vários meses já temos uma porção importante da população imune devido a ter se recuperado da doença. A presença dessa porção de imunes com o R0 1.0 gera uma taxa de reprodução efetiva abaixo de 1 que se reflete na queda no número de doentes e nos óbitos que observamos de forma basicamente generalizada em todo país que até esse período. Cabe, porém, destacar que como estamos usando dados oficiais. Deste modo a desaceleração aparente da transmissão do vírus pode refletir em parte uma dificuldade para testar os casos e levantar dados com os aumentos de casos.

Por outro lado, a partir de meados de novembro a taxa de reprodução basal do SARS-Cov-2 volta subir além de 1 e tem se mantido em torno de 1.60 nos últimos dias. Como ainda não atingimos imunidade de horda, esse aumento já é o suficiente para gerar uma subida rápida de casos configurando uma segunda onda e em seguida uma terceira que levou o número de casos ativos a ultrapassar os picos vistos anteriormente e parece ainda subir. Essa é uma situação mujito grave porque, mesmo com uma melhora no tratamento da doença que levou a menos casos graves e internações, já começa a pressionar formente o sistema de saúde com relatos de falência em alguns locais. Não é momento de relaxar. Temos que manter da melhor forma possível o nível de distancimento social e as outras medidas, como o uso de máscaras, para dar tempo de se deslanchar o processo de vacinação e imunizar pelo menos os mais vulneráveis.

Resultados Detalhados

Brasil

Essa é uma estimativa do número de vidas que serão salvas no país por termos mantido o isolamento social na última semana e se continuarmos firmes nos próximos 14 dias mesmo que estejamos enfrentando uma subida no número de casos. Mesmo assim, o distanciamento atual ajuda a frear a curva epidêmica que poderia cresces muito mais rapidamente à medida que os dias passam, enfatizando a necessidade de, não só manter, mas aprofundar as medidas de mitigação.

Veja a evolução da taxa de reprodução do vírus e como ela caiu depois do início do isolamento social. Porém, a partir de novembro enfrentamos uma segunda e agora uma terceira ondas. Pior ainda o número de casos ainda cresce pressionando cada vez mais o sistema de saúde que já está no limite. É um momento de alerta máximo e retorno a um maior isolamento para conter mais uma vez o crescimento da curva ganhando tempo para o processo de vacinação em massa. Precisamos evitar que a situação se agrave e os sistemas de saúde pública entrem em colapso.

São Paulo

Essa é uma estimativa do número de vidas que serão salvas no estado de São Paulo por termos mantido o isolamento social na última semana e se continuarmos firmes nos próximos 14 dias apesar de estarmos enfrentando uma nova subida no número de casos. Mesmo assim, o distanciamento atual ajuda a frear a curva epidêmica que poderia cresces muito mais rapidamente à medida que os dias passam, enfatizando a necessidade de, não só manter, mas aprofundar as medidas de mitigação.

Veja a evolução da taxa de reprodução do vírus e como ela caiu depois do início do isolamento social mandtendo-se próxima a 1.0 até meados de março. Porém, a partir daí, enfretamos uma segunda onda e agora uma terceira onda com os casos seguindo atualmente uma trajetória crescente. É um momento de alerta máximo e retorno a um maior isolamento para conter mais uma vez o crescimento da curva ganhando tempo para o processo de vacinação em massa. Precisamos evitar que a situação se agrave e os sistemas de saúde pública fiquem por demais pressionados.