Ensinar não é preciso. Estudar sim.

Alguém definiu uma universidade de excelência como sendo aquela com os melhores alunos e pesquisadores e os piores professores. “Sabem muito mas não sabem explicar” é o que dizem. E de fato não há um esquema 100% garantido de ensinar bem. Ensinar não é preciso. É uma arte. Para um professor cativar e manter a atenção dos alunos, transmitir novos conhecimentos e experiências, interagir com suas expectativas etc precisa ser artista.

O lado do estudante é simples. Quanto mais estudar mais aprende.smile

Todos os indicadores de Educação no Brasil estão abaixo da crítica. É preciso uma revolução no ensino. Nossos jovens devem estudar mais e os professores devem ser mais qualificados. Todos concordam com isto.

Na hora de pagar a conta é que vem a discórdia. O governador não permitiu aumento da porcentagem da educação, outros administradores sequer investem apropriadamente o que manda a lei. Quem pode põe seus filhos nas escolas privadas de ensino básico e pagam valores muito diferentes para o (que seria) o mesmo conteúdo.

Veja levantamento dos salários iniciais de professores (arquivo pdf) da iniciativa privada na cidade de São Paulo, em todos os níveis. Na dinâmica de mercado livre um professor de universidade pode ganhar bem menos que um professor de ensino infantil.

Quando se observa o ganho de um professor primário de escola pública no Brasil confirmamos o disparate. É um dos menores do mundo considerando o poder equivalente de compra. Em outras palavras, os governantes brasileiros acham que as crianças devem estudar, mas não é preciso ensinar.

8 pensou em “Ensinar não é preciso. Estudar sim.

  1. samuel

    O prof. Setzer do IME-USP levanta vários pontos controversos do projeto de um laptop por criança, mas adota uma posição reacionária e generalista que não condiz com um método científico. Por exemplo: “computadores prejudicam a educação”, “o uso do computador degrada o ser humano”.
    Acho que o nome do projeto não é muito fiel. Não é um laptop, muito menos um computador como entendemos. É um hardware intermediário com características de laptop e de um celular.

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  2. samuel

    Mônica, sou defensor da capacitação dos professores. Mas vou fazer um contra-ponto. Se uma criança com algum incentivo ou tendência a aprender, tiver bons livros, acesso a informações, etc ela pode aprender bastante sozinha. Este é o caso extremo do auto didatismo. O outro extremo seria o discípulo que aprende tudo pelo que o guru disser. Em termos de informática, não tenho dúvidas que no momento atual, as crianças vão aprender mais rápico, ou já estarão sabendo, mais que os professores, em média.
    O papel do professor é muito maior do que o de um instrutor de termos ou modos de dominar um dispositivo. Mas se ele não estiver por perto, talvez, talvez!, um laptop com aplicativos educacionas e acesso à internet pode ensinar algumas crianças muitas coisas. Esta é uma das idéias destes projetos tipo UCA, um computador por aluno.
    Eu tenho sugerido começar com o UCP, um computador por professor, mas a tendência por grandes projetos é mais forte. Vamos ver até que ponto o governo federal consegue tocar o UCA.

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  3. Mônica

    Ao acompanhar a discussão anterior dos colegas, acredito tenham eles esquecido de um elemento fundamental para que qualquer instrumento, por mais “antigo” e “comum” que seja, como os livros, possa causar o esperado efeito de uma educação de qualidade: o professor. Nada em educação vai adiante, por mais inovador que seja, sem o professor e, acredito, esteja aí a chave para o sucesso: capacitação profissional. O que vem acontecendo ao longo do tempo foi um verdadeiro “abalo sísmico” nas estruturas de formação de professores. Um professor que não possui acesso à tecnologia, como poderá estimular e/ou orientar seus alunos para um uso crítico e criativo dela. É crucial lembrar que, quem sempre será fundamental para direcionar quaisquer mudanças educativas será, sem dúvida nenhuma, o professor.

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  4. samuel

    Concordo. PCs somente não são suficientes. E leitura é fundamental! Mas não creio que um destes dispositivos não possam ser utilizados no ensino.
    É bem verdade que a história de outras intervenções tecnológicas no ensino não são animadoras. Recordo o “potencial educativo da TV” em sala de aula. Mesmo com alguns exemplos de programas ou aulas gravadas interessantes o impacto da TV no ensino em grande escala é virtualmente nulo.
    Uma diferença que vejo neste projeto UCA é a mobilidade e a interatividade dos palmtops. Assim, não sou tão pessimista. Mas não creio em milagres …

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  5. Krishnamurti

    Não falava da impossibilidade de distribuição dos pc´s, falava da doce ilusão de se achar que isso vai mudar o nosso panorama educacional, por isso coloquei no comentário um elo para o texto L.I.V.R.O, que é o instrumento do único meio de mudança, a leitura.
    pc´s só serão mais um meio e dispersão, assim como é o celular nas mãos de adolescentes e até de crianças.
    A cultura (incultura) cibernética está realmente se alastrando, vejo quase todo mundo hoje um telefone móvel (eu por sinal não tenho e nem quero ter), sim, mas o que isso tem de bom? Absolutamente nada, na verdade só trás prejuízos econômicos para os usuários, e quem sabe até de saúde.

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  6. samuel

    Tenho dúvidas que se consiga distribuir computadores portáteis suficientes para ter algum impacto no ensino do país. Mas em pequena escala vejo grandes possibilidades. Não será uma balela em uma escola, diretoria de ensino ou até em alguns municípios.
    As barreiras tecnológicas estão diminuindo, a cultura cibernética está se alastrando.
    Para comparar, hoje, 90% dos lares brasileiros têm pelo menos um telefone móvel, o celular. Por que não seria possível um computador móvel (um palmtop) para cada aluno?

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