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Um notório saber que não sabe ensinar

Não é apenas uma noção de senso comum. Há pesquisas e reflexões acadêmicas consolidadas que mostram que o conhecimento específico do conteúdo é necessário mas não suficiente para ensiná lo. Na realidade há competências e habilidades específicas que devem ser aprendidas para que um professor seja minimamente qualificado.

Um exemplo emblemático, bem pontual, mas representativo de que ter notório saber não basta para sequer explicar um assunto, um conteúdo é o matemático japonês Shinichi Mochizuki que diz ter resolvido um problema clássico da Matemática, a conjectura ABC.

A conjectura, isto é, o problema proposto nos anos 1980 é entendido por muitas pessoas. Basta procurar o termo Conjetura ABC.

Mochizuki estudou o problema, desenvolveu nova matemática e escreveu a sua solução em 500 páginas. No entanto, nenhum matemático entendeu completamente o que o Mochizuki escreveu. Assim, fizeram um encontro para que o japonês explicasse para um grupo de matemáticos profissionais. Não deu certo – teve a dificuldade adicional de que o Mochizuki estava no Japão e o grupo de matemáticos estava na Inglaterra, isto é, as apresentações foram por vídeo conferência. Resolveram então fazer uma reunião de trabalho no Japão com o Mochizuki presencialmente.


Mesmo assim, acham que ainda precisam de 3 anos para entender a solução desenvolvida pelo matemático japonês.

O que chamo a atenção é  que o notório saber inquestionável do matemático japonês não foi suficiente para ensinar o conteúdo novo nem mesmo para matemáticos profissionais de alto nível.

Vejam mais informação aqui.

4 ou 3 ?

Como está a Economia? Depende dos incentivo$ ou das preferências partidárias

Como vai a Economia? A resposta em geral vai depender das preferências partidárias ou afinidades com a presidência.  A menos que um incentivo financeiro seja prometido.

É isso que mostram duas pesquisas recentes:

Essas pesquisas envolvem cidadãos americanos questionados sobre as políticas econômicas de partidos e presidentes diferentes e foram resumidas no TheUpshot do The New York TimesHow Is the Economy Doing? It May Depend on Your Party, and $1

A constatação de que a resposta depende das preferências partidárias é muito evidente atualmente em conversas presenciais ou na internet – percebemos em poucas frases a preferência partidária de uma pessoa amiga ou colega. O que é interessante é que as opiniões tendenciosas foram alteradas, nos indivíduos das pesquisas, mediante a promessa de um pequeno incentivo financeiro – as repostas foram mais próximas com os dados reais da economia ou admitia-se não saber.

Eu acho interessante esse tipo de pesquisa, pois, mesmo com todas as suas limitações e o cuidado em não generalizar ou extrapolar a análise, revelam um pouco mais o nosso comportamento social.

Vou colocar como provocação e não como conclusão das pesquisas mencionadas que eu acho que temos opiniões em vários outros assuntos sem muita fundamentação racional, mas com muito preconceito. E essa imparcialidade aparece em indivíduos e em instituições, na minha opinião.

Sendo assim, o exercício que devemos fazer é o de se colocar na posição do outro e pensar na eventual possibilidade (por mais remota que seja) de que estamos errados sobre a posição adotada. Ou então, sendo bem mais honestos, como mostrou a pesquisa, admitirmos que não sabemos com certeza suficiente para opinar com confiança.

4 ou 3 ?

4 ou 3 ? Depende do ponto de vista.

 

100 ANOS DE RELATIVIDADE GERAL: GR100INRIO – 5

O último dia do GR100 IN RIO tratou majoritariamente de observações, projetos, tratamento de dados etc, tanto em Cosmologia, quanto em Astrofísica, Física de Partículas e a busca determinada pela detecção de Ondas Gravitacionais.

Se por um lado há muitos dados e o seu tratamento estatístico e analítico não são triviais, por outro lado é frustrante necessitar de MAIS dados e mais observações para detectar Ondas Gravitacionais, por exemplo, ou descobrir nova física e eliminar propostas teóricas de gravitação, cosmologia ou física fundamental de partículas.

A grande aposta é que até 2020 teremos a detecção de ondas gravitacionais por interferometria a laser no LIGO, VIRGO etc.

E sem data marcada, o empreendimento DES, para mapear a matéria escura, quer trazer uma luz sobre as propriedades desse componente do Universo, tão abundante e tão desconhecido.

Outro destaque foi a apresentação dos dados do projeto Planck que tem um telescópio no ponto estável L2 de órbita entre o Sol e a Terra. O satélite já não coleta dados pois o sistema criogênico deixou de funcionar, mas os dados coletados não foram totalmente processados ainda – se bem que os principais resultados já foram publicados.

Com isso foi terminado uma semana de intensa atividade. Vejam a foto “oficial” da conferência:

Foto oficial do GR100inRio

Onde ficaria Einstein nessa foto?

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100 ANOS DE RELATIVIDADE GERAL: GR100INRIO – 4

Mais 11 palestras do GR100 IN RIO em sua maioria sobre formação de estruturas cosmológicas, estrelas de neutrons e buracos negros. Para o meu interesse foi um dos melhores dias do encontro, pois além das discussões teóricas, muitos dados observacionais e simulações computacionais foram apresentados.

Fazer um resumo de um trabalho avançado, usualmente resultado de muitos anos de estudo e pesquisa, é uma arte. Nem todos os palestrantes, de hoje em especial, conseguiram fazer uma síntese assim em 25 minutos. Além dessa limitação, logo após a apresentação é dada a oportunidade da platéia fazer apenas uma ou duas perguntas. Alguns ficaram bem frustrados, mas para os organizadores é um dilema: se permitir o tempo extra para um, vai cortar o tempo de outro palestrante.

Para contornar esse problema, ao final do dia é feita uma sabatina com todos os palestrantes do dia. Mas é o final do dia. O cansaço fica evidente.

Como Einstein coordenaria um encontro assim?

http://www.gr100inrio.com

 

100 anos de Relatividade Geral: GR100inRio – 3

O terceiro dia do GR100 IN RIO tratou primordialmente de Cosmologia.

Foram 10 palestrantes. Atualmente a Cosmologia tem muitos dados observacionais, mas uma boa parte da discussão foi teórica e se deu em torno da energia escura e da matéria escura. O modelo padrão do Big Bang com Inflação primordial tem sido muito bem sucedida: “apenas” 6 parâmetros ajustam muito bem os dados observados.

Palestrantes em sabatina.

Palestrantes em sabatina.

Ao final do dia tivemos uma breve “sabatina” com todos os palestrantes à disposição para aprofundamentos, sugestões etc.

Palestrantes do GR100 in Rio em sabatina.

Palestrantes do GR100 in Rio em sabatina.

O que Einstein estaria perguntado?

http://www.gr100inrio.com

 

100 anos de Relatividade Geral: GR100inRio – 2

GR100 IN RIO

Há 100 anos Albert Einstein apresentou a sua teoria gravitational, a Relatividade Geral (RG). E para comemorar essa efeméride o CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) organizou uma semana de conferências e posts.

GR 100 in Rio

Eu perdi o primeiro dia, a segunda-feira 27/Julho que tratou dos fundamentos, da história, de teorias efetivas etc.

O segundo dia tratou de teorias de gravidade, tanto a RG como teorias alternativas. Foram 11 conferências.

Entre os cientistas em geral o questionamento e a curiosidade são bem aguçados, mas entre os Relativistas, parece-me que essas características são ainda mais fortes. A RG é muito bem sucedida, mas será que não há uma teoria ainda melhor?

O que mais marcou nesse segundo dia da Conferência foram os estudos de propostas que vão além da RG, de uma forma e motivação ou outras. Conceitos fundamentais como inércia e tempo também foram questionados.

O que Einstein estaria pensando?

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