Arquivo da categoria: Computação Científica

100 ANOS DE RELATIVIDADE GERAL: GR100INRIO – 4

Mais 11 palestras do GR100 IN RIO em sua maioria sobre formação de estruturas cosmológicas, estrelas de neutrons e buracos negros. Para o meu interesse foi um dos melhores dias do encontro, pois além das discussões teóricas, muitos dados observacionais e simulações computacionais foram apresentados.

Fazer um resumo de um trabalho avançado, usualmente resultado de muitos anos de estudo e pesquisa, é uma arte. Nem todos os palestrantes, de hoje em especial, conseguiram fazer uma síntese assim em 25 minutos. Além dessa limitação, logo após a apresentação é dada a oportunidade da platéia fazer apenas uma ou duas perguntas. Alguns ficaram bem frustrados, mas para os organizadores é um dilema: se permitir o tempo extra para um, vai cortar o tempo de outro palestrante.

Para contornar esse problema, ao final do dia é feita uma sabatina com todos os palestrantes do dia. Mas é o final do dia. O cansaço fica evidente.

Como Einstein coordenaria um encontro assim?

http://www.gr100inrio.com

 

Ilustração de um grande impacto

A Lua é irmã da Terra?

Uma simulação computacional avançada indica que a Lua é o resultado de um evento de grande impacto entre planetas “formados” em ambientes similares, planetas “irmãos”, pois a Lua tem a estrutura de formação muito parecida com a da Terra.

Se a Lua fosse algum astro vindo de outras regiões e que a Terra a teria capturado, ela teria material diferente do que a Terra tem. Similarmente, se a Lua fosse o resultado de um grande impacto entre a Terra e outro astro vindo de outras regiões, a Lua teria muito material do astro de impacto. No entanto,  não é o que se observa. As rochas lunares observadas na Lua revelam que a composição Lunar é muito semelhante à Terrestre.

Ilustração de um grande impacto

Grande impacto gerou o sistema Terra-Lua

Read editor’s note at Nature relativo ao longo artigo original:

A primordial origin for the compositional similarity between the Earth and the MoonA. Mastrobuono-Battisti and H. B. Perets and S. N. RaymondNature 520  212–215  (2015)
http://dx.doi.org/10.1038/nature14333

DLMF: NIST Digital Library of Mathematical Functions

Uma referência clássica, The Library of Mathematical Functions, publicada pela primeira vez em 1964, agora online, completa e com adendos. Quem fez algum curso avançado de matemática, física ou engenharias, provavelmente já procurou alguma função, valor ou método neste livro na biblioteca. Eu tenho a versão Dover azul. Uma relíquia, mas em termos práticos, já cedeu o seu honroso lugar para as referências digitais.

plot de uma função no plano complexo com zeros

DLMF: NIST Digital Library of Mathematical Functions.

Mais um primo de Mersenne descoberto. Agora são 47.

Os números primos de Mersenne são do tipo Mp = 2p – 1, onde p é um número primo. O número descoberto pelo projeto de computação distribuída GIMPS tem 12837064 dígitos (na representação decimal). Um número com quase 13 milhões de dígitos não é fácil de lidar. Nem mesmo com computadores. Este novo primo de Mersenne foi processado em um computador de 3 GHz Intel Core2 em 29 dias, sem parar.

Quem encontrou o primo? Foi um gerente de T.I. Na realidade ele colocou os computadores à sua disposição para descobrir que o número encontrado só é didvidido por um ou por ele mesmo.

Números de Mersenne

Números de Mersenne

Você também pode fazer isto e ser o próximo descobridor de um primo de Mersenne e todos terão chances de encontrar um primo de Mersenne pois provavelmente não tem limites. Provavelmente. O problema é que os números com poucos dígitos já foram descobertos. Os próximos serão ainda maiores.

Se você quiser doar parte de seus recursos computacionais para o projeto de encontrar números primos de Mersenne, veja as simples instruções.

Por que a água sobe enquanto o objeto afunda?

Jato sobe enquanto um objeto afunda

Jato sobe enquanto objeto afunda

Pesquisadores europeus estão em alegria profunda.
Agora eles entendem porque um  jato de água sobe
enquanto um objeto se afunda.

Desculpe-me pela paródia da famosa poesia de banheiro. Não resisti. Mas o assunto é sério. Por mais simples que pareça o fenômeno, ainda não havia explicações convincentes do jato emitido. Veja a foto do jato.

Observem que há muitos elementos em jogo: tensão superficial da água, pressão dinâmica da água, interação do ar com a água etc.

Os pesquisadores investigaram com análise matemática, simulação computacional e experimento real com máquina fotográfica super rápida. O resumo do artigo na Physical Review Letters é o seguinte (tradução livre):

Quando um disco circular atinge uma superfície de água, ela cria uma cratera de impacto que, depois de se colapsar, produz um jato vigoroso. Por causa do impacto uma cavidade de ar axisimétrica se forma e eventualmente se parte em um único ponto na metade da cavidade criada. Dois jatos delgados e rápidos são observados. Um pra cima e outro pra baixo …

Read Why Dropping a Stone Makes a Jet no Focus of Physical Review. Ou o artigo orginal High-Speed Jet Formation after Solid Object Impact na Physical Review Letters.

E veja também duas fotos artísticas de Martin Waugh:

Pingo no i

Pingo no i

gota de água

www.liquidsculpture.com