Arquivo mensais:fevereiro 2010

Terremotos, desmoronamentos e avalanches.

Uma das perguntas mais frequentes quando acontecem terremotos, como os do Haiti, Chile e Japão recentemente (2010 e 2011), é se os cientistas não conseguem fazer previsões precisas se vai ocorrer um fenômeno destes ou não. A resposta desanimadora é não. Não é possível prever um terremoto ou um desmoronamento como se faz a previsão do tempo e até do clima hoje em dia.

Os terremotos, assim como avalanches, desmoronamentos acontecem com frequencia diferenciadas. Terremotos com alto poder de destruição são raros. Abalos sísmicos imperceptíveis no dia a dia, acontecem aos montes. Apesar de não se poder fazer previsão com datas, podemos estimar as frequêcias relativas de acontecimento.

Quem quiser fazer uma simulação, em nível de ensino médio, veja o experimento abaixo. Os professores de Matemática e Física podem aproveitar a oportunidade para desenvolver esta atividade em sala de aula:

Avalanches

Este experimento propõe modelar matematicamente avalanches provocadas por materiais simples, como milho de pipoca, feijão e um recipiente qualquer. Inicialmente, os alunos produzirão avalanches, verificando suas intensidades pela quantidade de grãos que desmoronam. A partir daí, construirão gráficos com os dados coletados, obtendo uma curva. Aplicando logaritmo torna-se possível analisar a função que modela o fenômeno e até fazer algumas previsões.

Simulação de desmoronamento

Simulação de desmoronamento

A colocação sistemática dos grãos simula o aumento do peso ou a diminuição da resistência em morros e encostas até chegar a um ponto de equilíbrio crítico em que uma nova configuração é favorecida por razões de energia interna, resultando em desmoronamento. O desmoronamento pode ser grande ou pequeno em termos de quantidade de material.

Da mesma forma, as tensões geológicas das placas tectônicas, vão aumentando gradativamente até que um abalo sísmico acontece. O movimento da crosta, isto é, o terremoto pode ser muito intenso ou não.

O experimento mostra como fazer previsões estatísticas, não determinísticas. Confira.

Nostalgia por um passado inventado

O Médico Amy Tuteur, MD do Science and Medicine argumenta (Science-Based Medicine » Longing for a past that never existed) que a falta de conhecimentos históricos de como era a vida no passado faz com que muitas pessoas supervalorizem uma vida dita mais natural, com alimentos orgânicos, sem pesticidas, mais atividades físicas, sendo que as eventuais doenças que apareciam eram rapidamente tratadas pela sabedoria popular com remédios e tratamentos “naturais”.

De fato, antes das vacinações, dos agrotóxicos e dos avanços da medicina do século XX, a mortalidade infantil era altíssima, a fome ou subnutrição eram muito mais comuns do que (ainda) vemos hoje, a morte da mãe durante ou logo após o parto acontecia com freqüência bem maior do que atualmente, e muita gente morria de causas não conhecidas (“de repente”, doença de homem, caroço em algum orgão, etc).

Não há dúvidas que conhecemos mais doenças atualmente por conta de mais diagnósticos e porque algumas dessas doenças são característica da velhice que não se atingia no passado.

O argumento é consistente estatisticamente, na média. Podemos sempre citar alguém que viveu 110 anos sem os tratamentos modernos, mas é uma exceção ou outra.

Todos almejamos longa vida e de qualidade. E para isto, a ciência moderna tem feito grandes avanços.  Retroceder é uma atitude religiosa sem fundamento.

Nesta mesma linha, recebi, já várias vezes, mensagens com o seguinte argumento nostálgico:

“Os carros do meu pai não tinham cintos de segurança, as bicicletas não tinham nenhum tipo de proteção. Nós carregávamos sempre amigos no cano. Nossos pais nem sabiam onde estávamos, pois não existiam celulares. Ninguém morreu por causa de vermes, tomávamos remédios sem prazo de validade e sobrevivemos”

A realidade é que os hospitais e cemitérios recebem muita gente que andam de bicicletas sem proteção, andam de carro sem cinto de segurança, morrem de vermes ou de remédios vencidos etc. Mas alguns (muitos até) não tiveram acidentes, mas não podemos generalizar e, por mais que não gostemos individualmente, em média, várias destas medidas restritivas salvaram muitas vidas ou evitaram deficiências graves por acidentes. O passado de alegrias era particular, não geral, e algumas memórias desagradáveis foram apagadas (memória seletiva que a psicologia bem entende).

O tempo voa, mas a Relatividade Geral continua numa boa.

A Relatividade Geral é a teoria que descreve de maneira clássica os fenômenos gravitacionais, foi proposta por Einstein no início do século XX e prevê que o fluxo do tempo é menor na vizinhança de um corpo massivo do que longe dele. Este fenômeno já foi medido várias vezes e, apesar de ser insignificante para percebermos, é importante para os sistemas de localização como o GPS.

Nesta semana a revista Nature publicou (18/Fev/2010) o resultado de um experimento que estabeleceu que Einstein estava pontualmente correto, dentro da margem de erro do experimento, 7 partes em um bilhão.  E isto foi feito em um laboratório com luz laser na University of California. A técnica de armadilha a laser permitiu aos pesquisadores fazer medidas incrivelmente precisas em uma bancada de laboratório, em contraste a experimentos da grandiosidade como a do LHC ou LIGO.

Tentar explicar este avanço na precisão da Relatividade Geral pode ser complicado para os especialistas. Tem gente que tenta, mas não dá muito bom resultado:

Relatividade Geral mal explicada

Relatividade Geral mal explicada