Arquivo mensais:Janeiro 2009

Big Brother Galileo Galilei

The Hubble Space Telescope reveals stellar fireworks accompanying galaxy collisions. Image courtesy NASA.

Ilustraçao de uma Galáxia

Há 400 anos, Galileo Galilei ouviu uma fofoca:

Um vidro de espionar por meio do qual objetos visíveis, ainda que muito distantes do olho do observador,  eram visto com distinção como se estivesse próximo.

Curioso e intrigado, ele resolveu construir um instrumento com vidros polidos apropriadamente. E conseguiu! Mas ao contrário dos telespectadores modernos do Big Brother do mundo afora fazem, ele se colocou a observar a Lua, as luas de Júpiter e do que era feita a Via Láctea ao invés de ficar olhando o jardim das casas e palácios de Florença.

Graças aa espírito curioso mas não vulgar de Galileo Galilei, comemoramos os 400 anos do uso dos telescópicos. Por esta razão, 2009 é o ano internacional da astronomia, the International Year of Astronomy 2009 (IYA2009).

Olhe pra cima. Vale a pena!

via The international year of astronomy 2009.

Por que a água sobe enquanto o objeto afunda?

Jato sobe enquanto um objeto afunda

Jato sobe enquanto objeto afunda

Pesquisadores europeus estão em alegria profunda.
Agora eles entendem porque um  jato de água sobe
enquanto um objeto se afunda.

Desculpe-me pela paródia da famosa poesia de banheiro. Não resisti. Mas o assunto é sério. Por mais simples que pareça o fenômeno, ainda não havia explicações convincentes do jato emitido. Veja a foto do jato.

Observem que há muitos elementos em jogo: tensão superficial da água, pressão dinâmica da água, interação do ar com a água etc.

Os pesquisadores investigaram com análise matemática, simulação computacional e experimento real com máquina fotográfica super rápida. O resumo do artigo na Physical Review Letters é o seguinte (tradução livre):

Quando um disco circular atinge uma superfície de água, ela cria uma cratera de impacto que, depois de se colapsar, produz um jato vigoroso. Por causa do impacto uma cavidade de ar axisimétrica se forma e eventualmente se parte em um único ponto na metade da cavidade criada. Dois jatos delgados e rápidos são observados. Um pra cima e outro pra baixo …

Read Why Dropping a Stone Makes a Jet no Focus of Physical Review. Ou o artigo orginal High-Speed Jet Formation after Solid Object Impact na Physical Review Letters.

E veja também duas fotos artísticas de Martin Waugh:

Pingo no i

Pingo no i

gota de água

www.liquidsculpture.com

O que e quanto a futura mãe come determinam o sexo de um feto?

Vai ser menina ou menino?

Menina ou menino?

De acordo com um estudo do Reino Unido (You are what your mother eats: evidence for maternal preconception diet influencing foetal sex in humans), a abundância (limitação)  de alimentos pode favorecer o nascimento de meninas (meninos). Os autores afirmam que este resultado confirmaria a hipótese de que a razão macho/fêmea se ajusta, no sentido evolutivo, aos recursos disponíveis.

O resumo do artigo diz:

… Fifty six per cent of women in the highest third of preconceptional energy intake bore boys, compared with 45% in the lowest third. …

Pelo que entendi, eles separaram a amostragem de 740 mulheres em três grupos. Quem comeu:

  1. muito (54% de meninas)
  2. na média e
  3. pouco.  (55% de meninos)

Não li o artigo todo, no entanto o estudo precisa de um tratamento estatístico mais convincente.

Notem que 740/3 =  247 mulheres, e portanto cada amostra tem uma flutuação estatística normal de 16, isto é 6%  (todos os números foram arredondados aqui).

Assim, o estudo não conclui nada mais que há flutuações estatísticas na razão meninas/meninos.

Se isto não é suficiente para derrubar a conclusão do artigo, um grupo americano argumenta com certa ironia (Cereal-induced gender selection? Most likely a multiple testing false positive) que é mais provável que o teste tenha dado um falso positivo.

Moral da história? Ninguém sabe o que determinou o nosso sexo.

Dica de Plus+Magazine. News from the world of maths: You aren’t what your mother eats.

Pum de marciano? NASA descobre metano em Marte.

A descoberta da NASA abre algumas possibilidades muito interessantes.

  1. Existência de bactérias nos subsolos marcianos.
  2. Atividade geológica, tipo vulcão, que não era mais esperado de Marte.
  3. Alguns marcianos estão soltando puns. 😉

Read more at NASA – Methane Discovery reveals Mars is not a Dead Planet.

Transformação quimica de metano mais luz ultravioleta em metil e hidrogêneo.

Transformação química: Metano mais luz ultravioleta em metil e hidrogêneo

Metano em Marte

Metano em Marte

Dica de Astroblog

Relâmpagos ou raios fatais

75 mortes por raios em 2008 no Brasil.

Edição Online – 08/01/2009 Pesquisa FAPESP –

© Elat

Em 2008. foram registrados mais de 60 milhões de descargas elétricas no país

A distribuição de mortes por estado em 2008 foi a seguinte:

São Paulo. Foto de André di Lucca

São Paulo. Foto de André di Lucca

  • São Paulo, 20
  • Ceará, 7
  • Minas Gerais, 6
  • Alagoas 6
  • Rio Grande do Sul 5

Levando em conta área do estado e população, não é de se estranhar que São Paulo apareça primeiro na lista. Mas podemos fazer a seguinte análise simples. Se as descargas elétricas foram distribuídas igualmente no território brasileiro, poderíamos concluir que a quantidade de eventos poderia ser proporcional ao produto da área pela população. De acordo com o IBGE temos (Estado, População e área em km quadrados)

  • Minas Gerais. 19.273.506 * 586.528,293 = 1,13 * 1013
  • São Paulo. 39.827.570 * 248.209,426 = 9,89 * 1012
  • Rio Grande do Sul.  10.582.840 * 281.748,538 = 2,90 * 1012
  • Ceará. 8.185.286 * 148.825,602 = 1,22 * 1012
  • Alagoas. 3.037.103 * 27.767,661 = 8,43 * 1010

Sabemos que a quantidade mortes no Brasil foi recorde, mas em termos amostragem estatística é pequena. Mesmo assim, pelos números acima de número de habitantes vezes quilômetros quadrados, deveríamos ter uma distribuição diferente se os eventos fossem igualmente distribuídos pelo Brasil.  Em particular, a quantidade de mortes em Alagoas foi muito maior e a do Rio Grande do Sul muito menor do que o esperado. Seria interessante levantar as possíveis razões para estas anomalias e quem sabe evitar outras tragédias.

Houve três casos de mortes de pessoas que foram atingidas por descargas elétricas enquanto falavam em celulares cuja bateria estava sendo carregada na rede elétrica. “É a primeira vez que registramos esse tipo de caso”, diz o meteorologista Osmar Pinto Junior, coordenador do Elat. “Não sabemos se foi apenas uma coincidência ou se esses casos refletem uma nova realidade.”

Mortes de pessoas falando em telefones fixos em dias de tempestade acontecem há tempos, mas, com o aumento no número de celulares no país e a constante necessidade de recarregar a sua bateria, esse novo tipo de ocorrência pode se tornar mais frequente. A dica é não usar o celular conectado na rede de energia, sobretudo em dias de chuva.

Os pesquisadores do Elat calcularam que, no ano passado, a chance de uma pessoa ser atingida por um raio foi de uma em 2,5 milhões.

via Pesquisa FAPESP Online.