Arquivo mensais:março 2007

Ensinar não é preciso. Estudar sim.

Alguém definiu uma universidade de excelência como sendo aquela com os melhores alunos e pesquisadores e os piores professores. “Sabem muito mas não sabem explicar” é o que dizem. E de fato não há um esquema 100% garantido de ensinar bem. Ensinar não é preciso. É uma arte. Para um professor cativar e manter a atenção dos alunos, transmitir novos conhecimentos e experiências, interagir com suas expectativas etc precisa ser artista.

O lado do estudante é simples. Quanto mais estudar mais aprende.smile

Todos os indicadores de Educação no Brasil estão abaixo da crítica. É preciso uma revolução no ensino. Nossos jovens devem estudar mais e os professores devem ser mais qualificados. Todos concordam com isto.

Na hora de pagar a conta é que vem a discórdia. O governador não permitiu aumento da porcentagem da educação, outros administradores sequer investem apropriadamente o que manda a lei. Quem pode põe seus filhos nas escolas privadas de ensino básico e pagam valores muito diferentes para o (que seria) o mesmo conteúdo.

Veja levantamento dos salários iniciais de professores (arquivo pdf) da iniciativa privada na cidade de São Paulo, em todos os níveis. Na dinâmica de mercado livre um professor de universidade pode ganhar bem menos que um professor de ensino infantil.

Quando se observa o ganho de um professor primário de escola pública no Brasil confirmamos o disparate. É um dos menores do mundo considerando o poder equivalente de compra. Em outras palavras, os governantes brasileiros acham que as crianças devem estudar, mas não é preciso ensinar.

ClassMate da Intel para o Ensino. Fundamental!

Gabriel Testa Class Mate da IntelSe eles não gostarem, não adianta. O projeto ambicioso de oferecer um “computador” para cada aluno (UCA) está em fase de testes.

Já existem várias revisões do ClassMate. Por exemplo a de hardware na PCWorld, a de software na br-linux.

Vale a pena verificar as matérias da Folha sobre o aspecto de venda e mercado de computadores de baixo custo. De acordo com a matéria estas iniciativas não são bem sucedidas. Literalmente
Computador de baixo custo “emperra” no varejo.

A proposta da Intel argumenta que não dá para oferecer um dispositivo por menos de uns US$ 300 sob o risco de não ser absorvido pelo público alvo, a saber, alunos do Ensino Básico.

De fato, o exemplar que tive em mãos é um computador completo. Para quem já teve acesso a outros computadores, vai obviamente reclamar da lentidão, da tela e das teclas pequenas. Mas quem já viu adolescente enviando mensagens pelo celular sabe que estas restrições são relativas.

Dois problemas na versão que tive:

  1. O plug-in Flash para navegar em sites com vídeos, como o YouTube, não estava instalado.
  2. Algumas fontes para o Impress (para apresentações) foram chamadas mas não estavam presentes.

Os dois problemas podem ser resolvidos conquanto sejam instalados antes do ClassMate chegar às mãos dos alunos. O apelo visual foi aprovado pelo Gabriel (17 meses) acima. O ClassMate rodou em Linux com KDE.

O ClassMate jamais vai ter o apelo de um Mac (Assista se tiver boa conexão de internet e o plug-in Flash). Mas com ajustes, é possível usar o ClassMate como fundamental ferramenta para o Ensino Básico nestes dias de cultura cibernética. No entanto o preço é muito alto para o Ensino Público. Imagino escolas privadas com este tipo de aparelho para seus alunos com bom impacto na aprendizagem e na socialização virtual.