Arquivo mensais:fevereiro 2007

Obesidade e Aquecimento Globais

Engordar é uma conseqüência inevitável, de médio ou longo prazo, da ingestão de mais energia do que o necessário para o desempenho das atividades de um indivíduo. A matemática é simples mas a obesidade é uma epidemia global preocupante e nunca foi tão complicado perder peso. Daí a procura por tratamentos ou procedimentos que emagreçam ou evitem engordar. Por exemplo, tirar uma soneca após uma refeição engorda? Um expert responde: Scientific American: Does sleeping after a meal lead to weight gain? Isoladamente não, mas são muitos os fatores … A resposta de um expert nunca é simples.

ronaldo no carroFaço um paralelo com o aquecimento global. Se a composição de gases da atmosfera for alterada a médio ou longo prazo, a retenção de energia em suas camadas também será alterada. É conhecido o efeito estufa do CO2, um dos produtos da combustão orgânica. E o petróleo das profundezas joga toneladas de CO2 na atmosfera. Pode ser absorvido? Sim. Em quanto tempo? Com sorte, um tempo menor que foi necessário para criar o petróleo. Esta é a matemática simples. Mas diminuir a emissão de gases estufantes implica abrir mão de confortos aqui e agora. Talvez seja mais fácil um obeso emagrecer apenas com dieta do que um cidadão usar transporte público para diminuir a queima de combustíveis. Ou um funcionário desligar o ar condicionado para diminuir o consumo de energia. Vimos o nosso herói atleta Ronaldo brigar para conseguir perder uns quilos. E não era obesidade. Ele estava apenas um pouco acima do peso. Agora é o Ronaldinho gaúcho.
gore inconvenient truth Quais as conseqüências da obesidade? Há vários fatores de risco. Mas todos são futuros. No momento da refeição o apetite ganha do racional.

Quais as conseqüências do aquecimento global? Há vários perigos. No futuro …

É fácil acusar os outros. Vamos conseguir mudar o estilo de vida? Para não engordar nem esquentar mais o globo? Não é à toa o título do premiado documentário de Al Gore, uma verdade inconveniente.
gore

Ensino Básico Público ou Escolas Privadas?

Revista de adolescente No Brasil o Estado não consegue oferecer o ensino básico satisfatório à sua população ainda que aplique parte significativa dos impostos dos contribuintes nas Escolas estaduais e municipais.
Em outubro de 2006 o Jornal Nacional (JN) da TV Globo mostrou a série de reportagens “Como países cheios de problemas encontra[ra]m o caminho para crescer“. Em outra série o JN mostrou a forte correlação entre Educação e Emprego: “Sem um, não se consegue o outro. O avanço social é fruto de sua combinação. A primeira foi um recado “global” aos políticos e a segunda aos pais, pois nem adolescentes e muito menos crianças pensam no país ou no futuro emprego para estudar. Nesta idade, as preocupações são locais e imediatas. Veja, por exemplo, a capa de uma revista direcionada às adolescentes.
A preocupação com a Educação entre os brasileiros em geral não é muito melhor do que a dos adolescentes. Ocupa a sétima colocação, como constatou o Ibobe-Opinião em 2006. “Na sua opinião, qual é a área que o Brasil enfrenta o maior problema?”. A resposta (induzida) teve uma distribuição como esta:

Saúde
Emprego
Fome/Miséria
Segurança Pública
Corrupção
Drogas
Educação

O problema é muito sério pois cria um ciclo vicioso. Investir em Educação não é prioridade, o que a torna inócua e cansativa. Assim, a manchete deste domingo (07/01/07) na Folha de São Paulo, “Escola não motiva e perde milhões de alunos“, não causa admiração nem mal estar na população: “1,7 milhão de jovens entre 15 e 17 anos (16% do total) … não estud[ou] em 2005”. Por que? Para a maioria (40%) “é a falta de vontade de estudar que os empurra para fora do sistema de ensino …”. A frase é dos jornalistas Antônio Gois e Luciana constantino, a ênfase é minha. No entanto uma pesquisa do IBOPE-Opinião revela que “os pais estão satisfeitos com a escola (pública) dos filhos, mas, se pudessem, optariam por escolas particulares”.

Assim, o ensino básico público vai de mal a pior. Os adolescentes não querem estudar nem de graça e os pais não se importam com as escolas públicas. Para eles, pais e alunos, a solução seria o ensino privado. Aparentemente o movimento é similar na Índia.
Aumentar a qualidade do ensino público tem preço alto. Estamos dispostos a pagar? É dinheiro e tempo para capacitação dos professores, logística familiar, municipal, estadual e nacional etc. Vale a pena? Que resultados esperamos? 100% com qualidade para todos? Por quantos anos?
Falta de vontade de estudar é normal. Sempre foi e será por muitos séculos. Estudar ainda não é natural.

Termino com o estudo do governo feito pelo INEP à procura das exceções. Selecionaram, com critérios discutíveis mas razoáveis, 33 escolas públicas com bons rendimentos na “Prova Brasil”. Esta prova, de Matemática e Lingua Portuguesa da 4 e 8 séries do ensino fundamental, foi aplicada em mais de 40 mil escolas. O objetivo é o de mostrar “um conjunto de procedimentos, atividades, experiências e ações que apresentam resultados positivos na melhoria da aprendizagem de crianças e adolescentes” (pag 64 do relatório em pdf). O que as 33 escolas têm de bom?

  1. Práticas Pedagógicas:
    • Trabalho em equipe, compartilhado e coordenado.Projetos de Ensino.
    • Inovações na organização da escola.
    • Ensino contextualizado.
    • Implementação de novas formas de acompanhamento e avaliação da aprendizagem dos alunos.
    • Realização de atividades externas com os alunos.
    • Incentivo à prática de jogos e esportes.
  2. A importância do Professor:
    • Formação.
    • Valorização do Professor.
  3. A Gestão Democrática e a Participação da Comunidade Escolar:
    • Conselhos escolares atuantes e fortalecidos
    • Participação das famílias
    • Participação de alunos em atividades socioculturais ou voltadas para a participação na gestão escolar.
    • Decisão coletiva no que diz respeito às práticas pedagógicas.
  4. A Participação dos Alunos: As crianças são vistas de maneira positiva, nunca como crianças-problema.
  5. As Parcerias Externas ligadas aos recursos e infra-estrutura da escola, a projetos socioculturais ou a ações socioeducativas.

O estudo do INEP merece consideração mas não traz novidades. Como fazer da exceção a regra?

Precisamos de um Super Herói? Em muitos casos estamos infantilizando ainda mais as nossas crianças. Aliás, mesmo adultos têm sido tratados como bebês. Ficamos preocupados com os que abandonam a escola ou não têm vontade de esudar e não valorizamos os que ficam e estudam. Aí a situação tende a piorar. Que tal investirmos mais nos que dão atenção e “tiram boas notas”?
super professor

Falos grandes falam alto?

Ao que parece este é o senso comun entre os homens. Quem tem falo grande é superior. (Vou usar esse sinônimo para não ser automaticamente censurado.) O escritor Antônio Prata escreveu um inteligente e divertido ensaio na revista piauí_dezembro de 2006 onde mostra que a preocupação com o tamanho não é com as mulheres e sim com os vestiários. Prata resume várias técnicas para aumentar o volume do órgão, daqueles e-mails que nunca abri nem li por cautela anti-vírus. “E também não me interessa!” Enfim, o artigo do Prata é instrutivo. Por exemplo, 70% dos falos eretos estão entre 13 e 15 cm. Uma minoria amarela e outra minoria negra está abaixo e acima da média, respectivamente. “Não que o leitor esteja preocupado com isso, …”.

falo grandeA ilustração ao lado deve ser do cômico Rabelais de 1530s.

Mas não vivemos em uma falocracia, dizem os médicos. No entanto, é comum um político mostrar o tamanho ou o peso do seu “cacife”. Rabelais e Freud explicam.
Notícias recentes têm Bush, Chaves e Morales na política internacional. O caso do presidente venezuelano parece exemplo de livro. Ele já tinha o congresso totalmente ao seu lado. Ainda assim vai governar por decretos presidenciais por 18 meses. Para que? Só para mostrar ao seus vizinhos do continente que ele é o cara.

Em São Paulo temos o governador Serra mostrando potência. Mesmo antes da sua posse, trabalhou para manter o banco do estado A Nossa Caixa como pagadora dos salários dos funcionários públicos, transtornados. Para fazer contra-ponto ao presidente em descanso, logo no dia da posse baixou 8 portarias. O pique do Serra é maior.

Uma das portarias mostra quem manda nas Universidades Estaduais. A autonomia da USP, UNICAMP e UNESP vai continuar, sim, pois o Serra é um cavalheiro mas põe o Pinotti na frente, isto é, a Secretaria de Ensino Superior. Imediatamente vemos as verbas das universidades retidas.

Na eleição para a mesa do congresso brasileiro, os presidenciáveis Neves e Serra mostraram ao ex-presidente FHC quem manda mais no PSDB. Eles ficaram na posição mais cômoda, com o volumoso PT de Lula.
Termino com o bordão: É melhor não saber como se faz política nem lingüiça.