Planejamento Estratégico Institucional

IMECC-UNICAMP

 

 

Estado Atual e Considerações Gerais

O Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (IMECC) da UNICAMP tem como objetivo realizar atividades de ensino, pesquisa e extensão nas várias áreas da Matemática, entendida em sentido amplo e que incluem as chamadas áreas clássicas da Matemática, bem como aquelas da Matemática Aplicada e da Estatística. O IMECC conta atualmente com cerca de uma centena de professores atuando nas várias atividades-fim do instituto e, em efetivo exercício, cerca de quarenta servidores não docentes em atividades de apoio.

Em termos de atividades de ensino de graduação, observamos que o IMECC é uma unidade fortemente prestadora de serviços para várias outras unidades de ensino e pesquisa da universidade, atendendo nesta categoria cada semestre cerca de 2300 alunos. O instituto conta também com um número expressivo de alunos em cursos de responsabilidade própria (cerca de 600 alunos por ano), distribuídos nos seguintes cursos: bacharelados em Matemática, Matemática Aplicada, Estatística (diurnos) e Licenciatura em Matemática (diurno e noturno).

Em atividades de pós-graduação, as principais responsabilidades ainda são em cursos próprios, com um total cerca de 160 alunos distribuídos nos programas de Mestrado e Doutorado em Matemática, Mestrado e Doutorado em Matemática Aplicada e Mestrado em Estatística.

A atividades de pesquisa do instituto têm sido bastante intensas e ligadas às atividades de pós-graduação o que é demonstrado pelos bons conceitos obtidos pelos nossos programas nas avaliações da CAPES.

As atividades de extensão do IMECC tem sido intensas na área de especialização de professores de Matemática do ensino elementar e médio. O êxito deste empreendimento é demonstrado pelo fato de termos tido mais de 1000 matrículas em disciplinas de extensão no ano de 1999.

O seguintes pontos são importantes para situar o debate sobre o chamado Plano Estratégico Institucional da UNICAMP:

 

Oportunidades de Aumento de Eficiência e Ações Correspondentes

Acreditamos ser possível aumentar a eficiência do ensino de graduação com medidas dos seguintes tipos:

  1. Melhorar a interação com a escola média.
  2. Racionalizar currículos e a forma como é ministrado o ensino.
  3. Modificar a forma do vestibular, permitindo a entrada comum a vários cursos afins; com estrutura curricular formada por ciclos básicos, com a escolha da carreira feita após um ou dois anos (ou outro período) da entrada do aluno na universidade e baseada em lista ordenada pelo rendimento.
  4. Melhorar a utilização do sábado: através do uso das bibliotecas, plantão de dúvidas, aulas de exercícios e de recuperação, atividades de extensão, realização de provas, etc.
  5. Criar mecanismos de nivelamento e recuperação de alunos, inclusive com o uso de provas de proficiência em disciplinas, sem obrigatoriedade de freqüência a aulas.
  6. Aumentar o sistema de bolsas de trabalho para estudantes.
  7. Fazer um acompanhamento constante dos cursos existentes buscando aprimoramento e aumento do número de vagas oferecidas.
  8. Tomar medidas eficazes de jubilamento de estudantes que, mesmos com todas as oportunidades de recuperação, não se mostrarem capazes de desempenhar adequadamente.
  9. Melhorar a infra-estrutura geral.

Os ítens (1), (2) e (3) acima provavelmente deverão ser discutidos conjuntamente. O ítem (3), em particular poderia ser implementado de três formas distintas:

Esta forma exigiria muito debate e esforço e é extremamente improvável que seja possível implementa-la a curto prazo.

Poder-se-ia adotar um procedimento como o sugerido aparentemente pela Pró-Reitoria de Graduação: ao lado das vagas disputadas de forma tradicional no vestibular, seriam adicionadas um número a ser determinado de vagas suplementares que entrariam no mecanismo descrito no ítem (3); ao longo dos anos se analisaria o aumento ou diminuição destas vagas suplementares, até uma eventual decisão sobre o mecanismo mais adequado

Nesta segunda forma, o mecanismo a ser adotado seria o da expansão (modificação) do atual sistema utilizado no chamado "Cursão" (acordo entre os cursos de Matemática,

Estatística e Matemática Aplicada, que utilizam a entrada única no vestibular) através da

Incorporação gradual de outros cursos com negociação caso a caso.

As duas formas graduais acima não são contraditórias e poderiam ser implementadas simultaneamente. A última forma indicada não depende de decisões institucionais globais e apenas de negociações internas e entre unidades. Além disso, ela pode ser utilizada já criação de novos cursos. No caso do IMECC, em particular, pretendemos utilizar este processo para negociar a entrada do curso de Estatística no "Cursão" e também na criação de novos cursos ou modalidades em cooperação com o Instituto de Computação e com as Faculdades de Engenharia.

Quanto à melhoria da infra-estrutura, é necessário termos mais espaços para aulas e seminários. Tais espaços devem ter conforto ambiental e estar preparados para o trabalho com material audiovisual e computacional.

De fundamental importância é contar com espaços adequados para estudos individuais e em grupo para estudantes.

É crucial garantir o funcionamento de uma boa Biblioteca, com infra-estrutura própria e acervo de boa qualidade, bem como a existência de Laboratórios de Informática adequadamente equipados em termos de hardware e software.

Com respeito ao ensino de pós-graduação, pela quantidade e qualidade de professores do IMECC, poderíamos atender mais estudantes. Para isto uma série de ações poderiam ser tentadas:

  1. Melhorar a interação entre o final da nossa graduação e o início da pós-graduação, estimulando os melhores alunos de graduação a adiantarem os seus programas de mestrado.
  2. Estimular o aumento no trabalho com iniciações científicas visando preparar e atrair mais estudantes para a pós-graduação.
  3. Aumentar a nossa visibilidade no meio acadêmico, atuando, por exemplo, através da promoção regular de Escolas de Verão e Inverno dirigidas a estudantes do final da graduação, tanto da própria UNICAMP quanto de outras instituições, e assim atrair mais estudantes.
  4. Buscar formas que permitam que estudantes promissores, mas ainda não perfeitamente preparados para os estudos de pós-graduação, possam ter algum tempo para se preparar antes de serem incorporados de forma normal.
  5. Criar formas alternativas, e internas à UNICAMP, de financiamento da pós-graduação, tais como bolsa de trabalho (totalmente desvinculada de bolsas de orgãos de fomento).
  6. Criar o Mestrado Profissional do IMECC.
  7. Estimular as áreas de Estatística e Probabilidade no programa de doutorado.
  8. Melhorar a infra-estrutura.

Quanto ao ítem (6), estamos promovendo debates com a perspectiva de criar modalidades tais como Bioestatítica e Estatística Financeira. Quanto ao ítem (7), valem as mesmas considerações feitas para o caso do ensino de graduação

 

Quanto ao trabalhos de extensão, o IMECC tem ainda muitas oportunidades para serem aproveitadas:

  1. Criar outras disciplinas de extensão nas várias áreas de Estatística (Estatística Financeira, Bioestatística, Qualidade, etc) e Matemática Aplicada (Matemática Financeira e Atuarial, Métodos Numéricos, etc).
  2. Aumentar a ação na área de ensino de Matemática. Em particular criando mais disciplinas que incluam inclusive temas do ensino superior.
  3. Melhorar a visibilidade da nossa área de extensão.
  4. Melhorar a infra-estrutura, inclusive e a de pessoal

Para executar adequadamente estas propostas, é extremamente necessário que sejam tomadas medidas que as viabilizem:

Quanto ao item (4) acima, valem as mesmas considerações do caso do ensino de graduação.

 

As atividades de pesquisa do IMECC são bastante interligadas às atividades de pós-graduação e, portanto, as considerações anteriores daquela área podem estimular automaticamente a quantidade e a qualidade da pesquisa. Em particular, precisaremos garantir o seguinte:

  1. A melhoria da infra-estrutura de informática, em particular do funcionamento da rede e do suporte de software e hardware, é fundamental para aumentar a produtividade científica.
  2. A melhoria do acervo de livros e revistas, bem como o acesso à base de dados do Mathematical Review é fundamental para a pesquisa matemática.
  3. A criação de uma revista de pesquisa em matemática (pelo menos em versão eletrônica) será importante para projetar internacionalmente o instituto.
  4. Ações que estimulem a cooperação entre pessoas e grupos e aumentem a eficiência da atividade de pesquisa.
  5. Simplificar e automatizar todas as ações administrativas possíveis

Para os ítens (1) e (3), serão necessários investimentos em melhores servidores e computadores em geral, inclusive para a estrutura administrativa de apoio, e também contar com mais profissionais competentes na área.

Um acompanhamento mais freqüente do desempenho do professor, aliado à inclusão no relatório trienal de um plano de trabalho para o próximo triênio, possivelmente tornará mais eficiente o trabalho de cada professor. O acompanhamento freqüente do desempenho dos professores, feito a nível departamental e talvez através de comissões acadêmicas de avaliação, uma vez implantado poderá ser utilizado para ações de orientação, de aconselhamento, de estímulo, de promoções e de correções de atividades. Se o novo Sistema Sipex se revelar de fácil manipulação, o suficiente para que cada professor possa incluir e consultar dados, sem necessitar de apoio de secretarias, a execução dessas atividades de acompanhamento e avaliação serão enormemente facilitadas.

Para garantir tal proposta, será necessário que o grupo que elabora o novo Sistema Sipex continue a trabalhar no projeto interagindo mais fortemente com o sistema acadêmico a fim de ouvir suas críticas e incorporar as suas necessidades.

 

Ameaças ao Aumento da Eficiência e Ações Corretivas e Preventivas

As principais ameaças à eficiência do IMECC em um futuro de curto, médio e longo prazo serão as seguintes:

  1. O não aumento de verbas de custeio que garantem a manutenção e recuperação de instalações.
  2. A não revisão e simplificação dos procedimentos da universidade. Em particular, não concessão de mais autonomia decisória para as unidades.
  3. Repasse de serviços e obrigações às unidades sem o acompanhamento e qualificação de funcionários.
  4. Risco de perda por aposentadoria ou o não aumento contingente de professores e funcionários em áreas essenciais.
  5. Risco de perda de professores e funcionários em áreas essenciais por problemas salariais. A questão salarial também poderá influenciar negativamente a reposição destas pessoas.
  6. Risco de inviabilização financeira da universidade se não for resolvida a questão da massa salarial dos aposentados.
  7. Acomodação e falta de iniciativa de corrigir erros e buscar eficiência.
  8. Aumento da carga didática, provocada pela diminuição do número de docentes, por entraves e dificuldades de reposição, ou pelo o aumento descontrolado número de vagas, pode comprometer a qualidade do ensino e da pesquisa.
  9. Ao tentar evitar cair na acomodação mencionada no ítem (7), podemos correr o risco de enfocar excessivamente nos aspectos apenas técnicos da eficiência ou apenas algumas das atividades essenciais da universidade, esquecendo questões educacionais fundamentais e de princípio. Um exemplo de uma distorção deste tipo seria a de encarar a questão do ensino apenas como treino, e não como educação/formação. Outro exemplo seria o de focar demais nas questões de ensino e esquecermos as de pesquisa.
  10. Risco de não observar a diversidade da universidade e generalizar diagnósticos locais. Poderemos assim propor soluções excessivamente uniformes para os problemas da universidade sem prever mecanismos de análise e solução de exceções.

Obviamente o ítem (5) é o mais preocupante a longo prazo e será necessário buscar urgentemente soluções.

O problema da aposentadoria de professores é particularmente preocupante para a comunidade do IMECC. Não apenas em um horizonte de cerca de sete anos teremos um contingente de professores com direito a aposentadoria que poderá reduzir o quadro de professores do nosso instituto pela metade, como também já em Janeiro de 2001 estaremos com cerca 15% dos nossos professores nesta situação. Além disso, já neste momento algumas áreas de especialização estão com falta de professores. Esta é por exemplo a situação da área de Estatística, que atualmente é uma das mais requisitadas pelo mercado de trabalho e na qual o instituto tem um grande potencial para crescer. Porém, este crescimento estará comprometido se persistir a atual situação de falta de professores.

A Universidade deve buscar propostas que estimulem os professores que adquiriram o direito à aposentadoria a continuar trabalhando. Existe nesse grupo um potencial docente muito grande e dos mais qualificados. Algumas idéias, talvez ainda bastante questionáveis e prematuras, mas que devem ser consideradas para o debate, seriam as de não exigir relatórios trienais de docentes nesta situação, pagar algum tipo de bolsa ou incentivo suplementar, ter uma carga didática menor ou menos desgastante, que não exija vigor físico.

A questão da revisão e simplificação de procedimentos, bem como a concessão de mais autonomia decisória para as unidades de ensino e pesquisa parece-nos fundamental para aumentar a eficiência dos sistemas de apoio destas unidades.

Um ponto importante a ser considerado na composição do custeio das unidades que mantêm bibliotecas setoriais é o de incluir recursos para a recuperação física (encadernação, etc) de livros. Seria também muito importante incluir recursos para a compra de livros didáticos; de fato, dificilmente eles podem ser incluídos em projetos de compra de livros encaminhados para orgãos de fomento à pesquisa.

Recursos Humanos Necessários

Para garantir um aumento das nossas atividades, principalmente no período noturno e aos sábados, precisaremos contar com mais alguns servidores não docentes nos Setores de Informática, Biblioteca e Secretaria de Extensão e Eventos, além de segurança, principalmente para aumentar as atividades noturnas e aos sábados.

Correções e Expansões da Infra-estrutura

A seguir descreveremos brevemente alguns dos problemas de infra-estrutura que deverão ser resolvidos a curto e médio prazo. Colocaremos ao lado de cada item um valor aproximado do custo da sua implementação e dos prazos que pensamos poderiam ser implementados no caso da existência de recursos. Os valores indicados devem ser visto com muita reserva pois é uma avaliação de leigos (nós mesmos), uma vez que para quase todos os itens não temos projetos elaborados por especialistas (que por sinal cobram bastante para realizar tais projeto e, portanto, esse custo deveria constar da previsão orçamentária dos projeto).

Os atuais prédios utilizados pelo IMECC têm deficiências extremamente graves, algumas implicando inclusive aspectos legais, que necessitam correções urgentes:

  1. Colocação de guarda-corpos, balaustradas, etc, e escadas de incêndio conforme as exigências do Corpo de Bombeiros e Setor de Segurança no Trabalho. (R$ 200.000,00, urgente)
  2. Colocação de elevadores, ou alguma outra forma alternativa que permita o acesso de deficientes ao prédio. (R$ 200.000,00, urgente)
  3. Correções e expansões importantes que melhorariam significativamente a eficiência do nosso trabalho seriam as seguintes:

  4. Melhoria do conforto ambiental dos dois atuais prédios (R$ 100.000,00; um ano)
  5. Reforma de salas de aula, melhorando o conforto ambiental, trocando carteiras e adequando-as ao uso de recursos de multimeios. (R$ 100.000,00; dois anos)
  6. Reforma do anfiteatro e das salas de seminários, melhorando o conforto ambiental e adequando-os ao uso de recursos de multimeios. (R$ 100.000,00; dois anos)
  7. Colocação de rede estruturada na parte antiga do prédio anexo (R$ 140.000,00; um ano)
  8. Colocação de rede estruturada no prédio principal (R$ 400.000,00; cinco anos)
  9. Construção de outro prédio anexo para atividades de ensino, com dois anfiteatros de 80 lugares cada um e salas a serem utilizadas para aulas de graduação, pós-graduação e extensão. (R$ 400.000,00; quatro anos).

Total da Solicitação de Recursos de Infraestrutura: R$ 1.640.000,00

 

Recomendação

Para organizar adequadamente as solicitações de recurso, principalmente aqueles de infra-estrutura, é crucial a criação de fundos específicos, com regras públicas bem estruturadas, para que as unidades concorram com projetos.

Para isto, entretanto, para viabilizar tal procedimento é necessário dotar as unidades de recursos orçamentários extras que viabilizem a própria elaboração dos projetos que serão submetidos ao fundo.

 

Campinas, 27 de Novembro de 2000.

 

José Luiz Boldrini

Diretor do IMECC-UNICAMP